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62,5% da população mundial vive em países que desrespeitam a liberdade religiosa
Por Brasil Paralelo
Publicado em
Quase 5 bilhões de pessoas vivem em países onde a liberdade religiosa é violada. É o que aponta o 16º Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, da fundação Ajuda à Igreja que Sofre. O relatório é produzido a cada dois anos.
Desses 5 bilhões, cerca de 4,03 estão em países que perseguem violentamente a população por questões religiosas.
“No contexto de um clima global tenso, afectado pelas consequências da pandemia de COVID-19, pelas consequências da guerra na Ucrânia, pelas preocupações militares e económicas em torno do Mar do Sul da China e pelo rápido aumento do custo de vida a nível mundial, a liberdade religiosa foi violada em países onde vivem mais de 4,9 mil milhões de pessoas. Consideramos 61 países onde os cidadãos enfrentaram graves violações da liberdade religiosa” afirma a introdução do relatório.
Os países são classificados em:
categoria vermelha: aponta a existência da perseguição;
categoria laranja: aponta a existência de discrimnação por religião;
categoria “em observação”: inclui países onde foram observados fatores de preocupação emergentes que têm o potencial de causar uma ruptura fundamental na liberdade religiosa.
Imagem do relatório mostra principais formas de perseguição religiosa.
Na categoria Vermelha, estão 28 países que contém cerca de 4,03 bilhões de pessoas, o que representa 51,6% da população mundial.
Destes 28 países, 13 situam-se em África, onde em muitas regiões a situação se deteriorou fortemente, aponta o relatório.
Na categoria Laranja, estão 33 países, onde vivem quase 853 milhões de pessoas. A situação piorou em 13 deles.
Independentemente da classificação, em todos os países podem ocorrer crimes de ódio ou práticas de violência religiosa.
Os demais países, aponta o relatório, não foram classificados, mas isso não significa necessariamente que esteja tudo bem em termos de liberdade religiosa.
O relatório aponta que a perseguição se tornou mais intensa, concentrada e a impunidade aumentou
A perseguição envolve violações extremas do artigo 18.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas, que garante o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.
As violações à liberdade religiosa:
dos 196 países do mundo, 61 violam a liberdade religiosa (31,1%);
em 28 países (14%), grupos religiosos sofrem perseguição;
em 33 países (17%), há discriminação religiosa;
62,5% da população mundial, 4,9 bilhões de pessoas, vivem em países com violações graves ou muito graves da liberdade religiosa.
Segundo o relatório, desde 2021:
em 34 países locais de culto ou propriedades religiosas foram atacadas ou danificadas;
em 36 países os agressores raramente ou nunca são punidos pelo sistema judicial;
em 40 países pessoas foram mortas ou raptadas por causa de sua fé;
em 47 dos países analisados, a situação da liberdade religiosa piorou. Apenas em 9 países a situação melhorou.
Os principais agressores são:
em 4 países 1o nacionalismo étnico-religioso;
em 21 países é o extremismo islâmico;
em 49 países é o governo autoritário.
Confira um resumo dos principais casos analisados pelo relatório:
a nível mundial, a consolidação do poder nas mãos de autocratas e de grupos fundamentalistas conduziu a um aumento das violações de todos os direitos humanos;
o número de países em que há casos de perseguição “educada” e perseguição sangrenta aumentou;
comunidades religiosas que são maioritárias em determinados países enfrentam também perseguição;
a comunidade internacional tem sido omissa às atrocidades cometidas por países estratégicos da geopolítica, como China, Índia, Nigéria e Paquistão;
a ascensão de califados oportunistas na África;
tendências divergentes dentro do mundo islâmico tem exposto cada vez mais jovens aos grupos terroristas;
aumento da perseguição de muçulmanos pelos próprios muçulmanos;
as agressões contra a comunidade judaica no ocidente aumentaram após os confinamentos relacionados à COVID-19;
os raptos, a violência sexual, incluindo a escravatura sexual e a conversão religiosa forçada, continuaram a verificar-se e permaneceram em grande parte impunes, principalmente na África Ocidental e no Paquistão;
em alguns países os governos inflacionam o número de fiéis como forma de manter o poder político;
o aumento do controle e da vigilância em massa tem impactado nos grupos religiosos;
no Ocidente, a “cultura do cancelamento”, incluindo a “linguagem forçada”, evoluiu do assédio (verbal) de indivíduos que, por razões religiosas, têm opiniões diferentes, para incluir ameaças legais e perda de oportunidades de emprego;
na Índia e no Paquistão, foram inseridos conteúdos depreciativos sobre as religiões minoritárias nos manuais escolares;
proliferação de legislações que impedem a conversão religiosa das pessoas, bem como iniciativas que oferecem benefícios financeiros aos que aderem à religião oficial;
aumento dos ataques a líderes religiosos e outros colaboradores da Igreja por grupos criminosos organizados;
as celebrações religiosas tiveram participação recorde após o confinamento da COVID-19;
as iniciativas de diálogo inter-religioso aumentaram.
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