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Safra de soja pode atingir 176 milhões de toneladas
Por CNN
- Publicado em 14/01/2026
- 10:16
O Brasil deve caminhar para a maior safra de soja da história no ciclo 2025/26, que compreende o período de setembro a abril e engloba as fases de plantio, desenvolvimento da cultura e colheita. Segundo projeção da consultoria Biond Agro, a produção nacional pode alcançar 176,85 milhões de toneladas, reforçando a posição do país como maior fornecedor global da oleaginosa.
A estimativa é sustentada por um conjunto de fatores, como um clima mais favorável, ganhos de produtividade em regiões estratégicas — especialmente no Centro-Oeste — e uma expansão mais moderada da área plantada. O cenário reflete margens mais apertadas, custo elevado do crédito e maior seletividade nos investimentos por parte do produtor rural.
Em informações à CNN Brasil, a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, afirma que, apesar das limitações, o número projetado é histórico. “A safra 2025/26 pode ser a de maior potencial já registrada no Brasil. Mesmo com menor expansão de área, regiões como o Mato Grosso apresentam desempenho produtivo bastante satisfatório, o que faz diferença por se tratar do principal estado produtor de grãos do país”, diz.
Ainda de acordo com a Biond, a área plantada com soja deve crescer 2,9%, atingindo cerca de 48,7 milhões de hectares, um dos menores avanços dos últimos anos. A desaceleração está associada a preços menos atrativos, maior alavancagem financeira e ao encarecimento do crédito, fatores que limitam a abertura de novas áreas.
Nesse contexto, a produtividade assume papel central para a confirmação do recorde. “O fator determinante será o desempenho das lavouras. O resultado dependerá muito mais do alinhamento entre clima favorável e bom manejo do que de uma expansão expressiva de área”, explica Yedda Monteiro.
Clima, custos e mercado internacional moldam o cenário de preços
A analista destaca ainda que atrasos pontuais no plantio no MATOPIBA — região que engloba áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país — e áreas de replantio no norte do Mato Grosso podem gerar ajustes nas estimativas ao longo do ciclo, embora parte dessas perdas possa ser compensada no desenvolvimento das lavouras.
As condições climáticas seguem como o principal fator de risco, em que a região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, permanece mais vulnerável a déficits hídricos em anos de La Niña, enquanto o Centro-Oeste e o MATOPIBA dependem da regularidade das chuvas no início da primavera para garantir uma boa janela de plantio e o sucesso do milho safrinha.
“O que mais afeta o potencial produtivo não é o volume total de chuvas, mas a sua distribuição nas fases críticas da cultura, como plantio, floração e enchimento de grãos”, ressalta a analista.
No mercado internacional, a expectativa de uma safra robusta no Brasil mantém um viés de pressão sobre os preços no curto prazo, em meio a estoques globais confortáveis. A retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos adiciona volatilidade às cotações em Chicago e pressiona os prêmios de exportação brasileiros.
“Com uma oferta volumosa prevista para o Brasil, a tendência é de pressão sobre os prêmios, o que deve recolocar o país como a origem mais competitiva no mercado global ao longo de 2026”, conclui Yedda Monteiro.
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