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Levantamento do IBROSS não inclui unidade de Mato Grosso entre os dez hospitais públicos mais bem avaliados do Brasil
A afirmação de que Mato Grosso teria hoje “o maior e melhor hospital público do país”, feita pelo governador Otaviano Pivetta durante sabatina com representantes da Fiemt, Famato e Fecomércio-MT, na manhã desta quinta-feira (3), entra em contraste com um levantamento nacional divulgado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Conass, Conasems e Instituto Ética Saúde.
O ranking dos Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026 avaliou um universo inicial de 5.279 hospitais que atendem ao SUS e considerou critérios como qualidade assistencial, taxa de mortalidade ajustada, internações de alta complexidade, disponibilidade e ocupação de leitos de UTI, tempo médio de permanência, eficiência na gestão, compliance e satisfação dos usuários. No resultado final divulgado recentemente, o Hospital Central de Mato Grosso não aparece entre os dez primeiros colocados.
O primeiro lugar ficou com o Hospital Estadual de Sumaré (SP), seguido pelo Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (GO) e pelo Centro de Referência da Saúde da Mulher (SP). A lista também inclui hospitais de Minas Gerais e São Paulo. Entre as unidades mais bem avaliadas diretamente pelos usuários, o primeiro lugar ficou com o Hospital Regional de Piracicaba (SP).

A diferença entre o discurso oficial e o resultado do levantamento nacional levanta uma questão objetiva: com base em quais indicadores o Governo de Mato Grosso classifica o Hospital Central como o melhor hospital público do Brasil, se a principal premiação nacional do setor divulgada em 2026 não o colocou sequer entre os dez primeiros? O próprio IBROSS informa que sua metodologia buscou justamente identificar modelos de excelência no SUS, combinando desempenho assistencial, eficiência, qualidade, segurança e experiência dos pacientes.
O Hospital Central começou a funcionar em janeiro de 2026, depois de mais de três décadas com as obras paralisadas. A unidade inaugurada em ano eleitoral, possui 287 leitos, sendo 96 de cuidados intensivos, além de dez salas cirúrgicas e uma sala híbrida com hemodinâmica. Segundo o Governo do Estado, foram investidos mais de R$ 540 milhões entre obras e equipamentos.
A discussão, portanto, não é sobre a importância da entrega do hospital para Mato Grosso, mas sobre a necessidade de separar propaganda institucional de avaliação objetiva de desempenho. Se o Estado sustenta que o Hospital Central é o melhor hospital público do país, cabe apresentar os indicadores técnicos que fundamentam essa conclusão e explicar por que eles não aparecem refletidos no ranking nacional divulgado pelo IBROSS.
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