Comunicado: Para melhoria dos nossos serviços, o RGT News está realizando uma manutenção interna no site.

Ligações perigosas de Lula se ampliam e chegam a Daniel Vorcaro

Por Gazeta do Povo

As conexões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com personagens que aparecem nas investigações dos casos do INSS e do Banco Master se multiplicaram na reta final do primeiro turno da eleição.

Lula está, desde o início da campanha, sob o impacto de investigações que envolvem seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Também estão envolvidos a empresária Roberta Luchsinger e aliados como o ex-chefe da Casa Civil Rui Costa (PT-BA), os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Otto Alencar (PSD-BA), além de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Agora, um novo episódio aproxima o presidente diretamente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e um áudio de Walfrido Warde, ex-advogado de Vorcaro, obtidos pela Polícia Federal (PF) e divulgados nesta quarta-feira (23), relatam articulações para aproximar o ex-banqueiro de Lula, mencionando uma suposta oferta de garrafa de uísque ao presidente.

Warde afirma, em gravação, ter recebido uma mensagem de Marcola, então chefe de gabinete de Lula, cobrando um e-mail de Vorcaro com os assuntos que gostaria de tratar com o presidente.

Em outra mensagem, de janeiro de 2025, Warde relata a Vorcaro que havia estado com Lula e que o presidente teria perguntado se ele estava bem, teria agradecido “mais uma vez” pelo uísque e mandado um abraço. O Planalto nega que Lula tenha recebido o presente ou tenha conhecimento da articulação relatada por Warde e afirma que o presidente só se encontrou uma vez com Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024.

Nesta quarta-feira (23), o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao ministro André Mendonça uma notícia-crime contra Lula, pedindo a abertura de investigação para apurar se o presidente atuou em favor dos interesses de Vorcaro. O pedido tem como base as mensagens de Warde.

Os advogados de Flávio pedem que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apuração de suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa.

Por sua vez, Flávio também é alvo de apuração ligada a Vorcaro. Ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e “outros delitos correlatos” em relação ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades.

Analistas atestam “mau momento” de Lula

O episódio acrescentou um novo elemento ao conjunto de revelações que, nas últimas semanas, tem aumentado a pressão sobre a campanha e o entorno presidencial.

Luiz Felipe Pondé, filósofo e professor, acredita que Lula tem tentado “com experiência e jogo de cintura, desviar das ameaças que chegam mais perto dele”. Avalia, porém, que a sucessão de denúncias coloca o presidente em um momento mais delicado da campanha:

“O Lula está talvez no momento mais baixo da energia dele para ganhar a eleição”, diz. “Eu acho que isso [as denúncias e o entorno voltando] pode piorar a situação dele.”

Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o episódio difere das outras revelações.

“Pela primeira vez você já tem uma evidência aproximando Vorcaro de Lula com até mesmo um presente na forma de um uísque, item que está ficando muito simbólico nessa relação promíscua”, diz. “Isso não pega bem para a imagem do Lula, é uma citação direta ao presidente.”

Lulinha e Roberta voltam ao foco

Paralelamente, desdobramentos das investigações sobre o INSS voltaram a colocar Lulinha e Roberta Luchsinger no centro do noticiário, depois de perderem espaço em meio à crise do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (21), mensagens apreendidas pela PF revelaram que Roberta dizia viajar em voos da Força Aérea Brasileira (FAB) com Lulinha e relatava acesso ao Palácio do Planalto.

Em uma mensagem de novembro de 2023, ela afirmou que viajaria pela FAB “com o filho do presidente”, e, em outras mensagens, se referiu a Lulinha como “sócio”. Lula já havia negado conhecer a empresária e, em agosto, fotos dos dois juntos foram divulgadas nas redes sociais.

Novas informações atribuídas à investigação da PF ampliaram o caso nesta quarta-feira (23). Mensagens de junho de 2023 mostram Roberta orientando seu motorista a fazer pagamentos que somavam R$ 60 mil a contas de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, e de José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta, além de uma parente deste último. 

Segundo a investigação, o ministério fechou, seis meses depois da troca de mensagens, um contrato com um empresário de tecnologia representado por Roberta. A PF também encontrou mensagens sobre outros pagamentos feitos com dinheiro vivo que a empresária mantinha em malas.

As revelações se somam às apurações que já haviam levado a PF a apontar uma “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha e Roberta e a investigar uma possível atuação conjunta dos dois em negócios envolvendo canabidiol e contratos com o governo federal. Em agosto, a PF havia identificado ainda R$ 217 mil em despesas pagas por Roberta para Marcola. Ele afirmou que se tratava de um empréstimo pessoal já quitado.

A investigação também apura a relação entre Lulinha, Roberta e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e menciona suspeita de uma “sociedade oculta” em negócios. Lulinha nega relação com irregularidades ou desvios de dinheiro público.

Conexões políticas do Banco Master

Enquanto isso, as investigações do Master avançaram sobre aliados históricos de Lula, como o senador Jaques Wagner (PT-BA), e parlamentares próximos ao governo, como o senador Otto Alencar (PSD-BA).

A PF identificou 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, entre novembro de 2023 e maio de 2025, que somaram cerca de cinco horas e meia de conversas. Os relatórios da investigação também apontam outros contatos e tratativas políticas envolvendo o senador.

Conforme a Gazeta do Povo revelou, a aproximação de Augusto Lima com o grupo político baiano foi precursora de operações do Master. O caso remonta à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018, durante a gestão de Rui Costa.

Lima arrematou a estatal e, a partir da operação, estruturou o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores públicos. Em 2019, levou o Credcesta ao então Banco Voiter, em uma parceria que aproximou o empresário de Daniel Vorcaro; em 2020, Lima tornou-se sócio do Master.

No caso do senador Otto Alencar, mensagens de Vorcaro o descrevem como “conselheiro” e “comandante”, enquanto o advogado Ciro Soares intermediava contatos entre os dois.

Mais recentemente, mensagens também indicaram que Vorcaro pretendia mobilizar aliados para apoiar a permanência de Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), numa articulação que envolvia contatos com Otto Alencar e Jaques Wagner. Otto Alencar e Wagner negam ter interferido em favor de Lobo, enquanto o próprio presidente da CVM nega ter pedido ajuda a Vorcaro.

Lula se defende. E o eleitor?

Além de negar envolvimento direto nos fatos investigados, Lula tem adotado um discurso de defesa das investigações, inclusive quando atingem seu filho e aliados.

Foi o mesmo discurso utilizado, a princípio, por Lula ao se referir a Alexandre de Moraes, após o vazamento de mensagens comprometedoras de Vorcaro ao magistrado que agravaram a crise da Corte e afetaram a campanha petista.

Logo depois, porém, passou a criticar diretamente a atuação de André Mendonça, relator do caso no STF, quando o ministro determinou a divulgação de mensagens e outros documentos relacionados a Vorcaro. Lula acusou Mendonça de fazer política divulgando informações seletivas que beneficiavam o candidato da oposição Flávio Bolsonaro.

Os argumentos de Lula, no entanto, segundo analistas ouvidos pela reportagem, tendem a reforçar as convicções do eleitorado polarizado: convencem o público fiel ao presidente e são desacreditados pela base do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro.

O ponto central para a avaliação política dos episódios é como eles repercutem entre o eleitor de centro e independente, distribuído entre outros candidatos e os indecisos.

Cerqueira avalia que a estratégia é limitada entre esses eleitores. “Ele não ganha voto com isso”, diz. “O esforço dele [Lula] aqui é não perder voto.”

Para o cientista político, as novas denúncias podem favorecer uma antecipação do segundo turno. A perda de espaço das candidaturas de terceira via abre caminho para que parte desses eleitores antecipe uma escolha entre os dois nomes mais competitivos.

“Isso aí tem um efeito de reforçar aqueles que já decidiram votar no Flávio de ficarem nessa decisão e dar também um impulso final àqueles que ainda estão meio indecisos. Pode ter um efeito de acelerar o chamado voto útil pro Flávio.”

Pondé, por sua vez, acredita que o peso eleitoral das denúncias dependerá, sobretudo, do que estiver em evidência no dia da votação.

“O eleitor, em dúvida, que desempata, fica meio sem escolha porque o universo está saturado de corrupção”, afirma. “Mas o que estiver bombando, estiver aparecendo para ele, o último escândalo que sacarem da manga e estiver endereçado a um deles pode acabar determinando o voto na eleição.”

Divulgue essa notícia:

1. Baixe o card no botão abaixo.
2. Compartilhe nas suas redes sociais.

DEMONSTRAÇÃO DO CARD:

Ligações perigosas de Lula se ampliam e chegam a Daniel Vorcaro

Saiba mais em rgtnews.com.br

Divulgue essa notícia:

1. Baixe o card no botão abaixo.
2. Compartilhe nas suas redes sociais.

DEMONSTRAÇÃO DO CARD:

Ligações perigosas de Lula se ampliam e chegam a Daniel Vorcaro

lula-preo

Saiba mais em rgtnews.com.br

MAIS DO RGT NEWS