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Estudante é expulsa da UFR após ofender gravemente aluna com deficiência: “Fede demais, bafo gigantesco e burra, burra”

Por Gabriel Fagundes

A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) desligou uma estudante do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental após concluir o processo administrativo aberto para apurar ataques capacitistas contra uma colega com deficiência. O caso ocorreu em março deste ano e ganhou grande repercussão após vídeos gravados pela própria acadêmica circularem nas redes sociais.

Nas gravações, a então estudante faz uma sequência de comentários depreciativos sobre a colega PCD. Ela critica a forma como a jovem se comunica, faz comentários sobre sua higiene e afirma que ela e uma amiga tentavam evitar contato com a colega.

Em um dos trechos, a acadêmica menciona uma condição que afeta a respiração da colega e debocha do som produzido enquanto ela fala. Na sequência, afirma que evitava permanecer perto dela e chega a dizer que a colega “fede demais”.

“Eu e minha amiga, a gente nem fica perto dessa guria. Tenta evitar o máximo de contato possível”, afirma em parte da gravação. Apesar das declarações, ela tenta justificar a própria conduta dizendo que não teria preconceito contra pessoas com deficiência.

Novos relatos

A estudante também relata uma atividade realizada durante uma aula do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental. Segundo ela, a professora teria determinado que apenas um integrante de cada grupo apresentasse a solução encontrada para um problema proposto em sala.

Ela afirma que foi escolhida para apresentar pelo grupo e demonstra irritação porque a colega PCD também decidiu falar. Durante esse relato, volta a atacar a estudante e a chama repetidamente de “burra”, além de reclamar que ela interromperia as aulas para fazer comentários que considerava óbvios.

“Não é preconceito nem nada, a gente tem que se tocar”, afirma novamente durante o vídeo.

As gravações repercutiram nas redes sociais e o episódio chegou ao conhecimento da Universidade Federal de Rondonópolis. A instituição abriu procedimento administrativo para investigar a conduta.

DEVIDO PROCESSO LEGAL

Segundo a UFR, a apuração respeitou o devido processo legal e garantiu contraditório e ampla defesa à estudante. Com a conclusão do procedimento, a universidade aplicou a penalidade cabível e determinou seu desligamento do curso.

Em posicionamento sobre o caso, a UFR afirmou que a decisão reforça o compromisso da instituição com os direitos humanos, a inclusão, a acessibilidade, a diversidade e a convivência ética dentro do ambiente universitário.

A universidade informou ainda que não divulgará os nomes das pessoas envolvidas, documentos, informações pessoais ou outros detalhes do processo. A medida, segundo a instituição, segue as regras previstas na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

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