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“Casa Abrigo mexe muito comigo. Porque são crianças indefesas.” É assim que começa o vídeo que o ex-prefeito Zé do Pátio tentou apagar das redes sociais.
A Justiça Eleitoral não deixou.
Tem lugar em Rondonópolis que quase ninguém vê, mas que existe para uma missão das mais duras: receber crianças que ninguém mais protegeu. Bebês recém-nascidos. Meninos e meninas de dois, três anos. Adolescentes. Cada um chega à Casa Abrigo com uma história que nenhuma criança deveria ter: abandono, negligência, violência. É ali que encontram cuidado, comida, cama limpa e alguém que olha por eles.
Foi sobre esse lugar que Alessandra Ferreira gravou um vídeo. Nele, conta com a voz embargada o que viveu quando esteve à frente da Assistência Social do município, e o que aprendeu com essas crianças. “Cada um com uma história diferente, mas todos com uma história triste”, diz. E termina com a frase que resume sua passagem pela secretaria: vale a pena estar na vida pública para fazer a diferença para quem precisa.
Foi esse vídeo que Zé do Pátio quis derrubar.
Na segunda-feira (21), o ex-prefeito, hoje candidato a deputado estadual pelo PV, acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso.
Pediu que o vídeo saísse do ar em 24 horas, sob multa diária. E foi além: quis proibir Alessandra de mostrar, dali em diante, qualquer imagem gravada em prédio público.
Nesta terça-feira (22), o TRE negou o pedido.
As cenas eram do trabalho, não da campanha
As imagens já eram públicas desde março. Foram gravadas quando Alessandra ainda era secretária, num vídeo em que ela anunciava o acolhimento de três crianças encontradas abandonadas e pedia à população que denunciasse casos de maus-tratos. Um chamado para proteger crianças, no ar há mais de seis meses, sem nenhum problema.
O vídeo continua no ar. E a história da Casa Abrigo continua sendo contada.
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