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Registros técnicos gravados no próprio arquivo do contrato — extraído do celular de Daniel Vorcaro e obtido pelo jornal Estadão — indicam que o ministro Alexandre de Moraes foi o responsável pelas últimas alterações no documento de R$131 milhões firmado entre o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o então dono do Banco Master.
O perfil do Microsoft Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” aparece como o último a editar o arquivo às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. A alteração ocorreu cerca de 1 hora e 40 minutos depois de Vorcaro devolver a minuta a Viviane pelo WhatsApp, com a mensagem pedindo conferência da cláusula incluída e combinando a assinatura. Dois dias depois, em 17 de janeiro, Viviane encaminhou essa versão final ao banqueiro.
Na aba “Propriedades” do documento (Office 365), constam autor, datas e horários das modificações. O autor original registrado é Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes. O perfil atribuído ao ministro fez a última edição na versão que depois foi enviada.
O contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos (R$ 3.646.529,77 brutos cada, livres de impostos), totalizando R$ 108 milhões líquidos ou R$ 131.274.351,72 brutos. Os pagamentos foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação do banco.
O escritório de Viviane confirmou que o ministro acessou o documento. Segundo a nota, o setor de compliance “consultou” Moraes, na condição de marido da sócia diretora, sobre eventuais impedimentos legais — como ações no STF sob sua relatoria ou julgamentos de interesse do cliente. A banca afirma que, “diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal”, o contrato foi assinado e os serviços prestados. Moraes e Viviane reconhecem o acesso, mas negam irregularidades.
A prova material não é apenas o relato das partes: são os metadados embutidos no arquivo enviado por WhatsApp, que registram o perfil, a data e a hora da última edição atribuída ao ministro.
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