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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) não explicou nesta quarta-feira (16) como foram constituídos os R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais registrados em favor da Natural Pork Alimentos S.A. entre 2019 e 2025. Pivetta declarou possuir ações da empresa quando já era vice-governador.
O assunto foi levado diretamente a Pivetta durante entrevista ao MT1, da TV Centro América, um dia depois de Wellington Fagundes (PL) denunciar a concessão de incentivos fiscais à empresa.
O apresentador Cleto Kipper citou os R$ 492 milhões em renúncia fiscal, lembrou que Pivetta havia declarado participação na Natural Pork à Justiça Eleitoral e perguntou se houve alguma irregularidade na concessão dos benefícios.
Pivetta não detalhou os valores relacionados especificamente à Natural Pork. Na resposta, classificou assuntos levantados durante o período eleitoral como “mentiras” e “calúnias” e passou a falar sobre sua atuação empresarial.
“Em época de política sempre vêm esses assuntos, sempre vêm mentiras, calúnias”, afirmou.
O governador disse que suas empresas geram mais de 1,5 mil empregos e recolhem cerca de R$ 150 milhões em impostos por ano.
“Eu sou um empreendedor, nós temos negócio no Mato Grosso, temos negócio no Piauí, e o que nós fizemos é legal, é dentro das regras”, declarou.
Pivetta também afirmou que não participa da administração de suas empresas desde 2016.
“Eu não participo de administração de empresa minha nenhuma desde 2016”, disse.
Diante da resposta, Cleto voltou à pergunta e quis saber se Pivetta entendia, então, que não havia irregularidade.
“Absolutamente nenhuma irregularidade, nada”, respondeu o governador.
Pivetta negou, portanto, qualquer irregularidade, mas não explicou durante a resposta como os R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais registrados em favor da Natural Pork foram constituídos ao longo do período, nem detalhou os critérios aplicados especificamente à empresa.
O valor havia sido citado por Wellington durante entrevista ao mesmo MT1 na terça-feira (15). Na ocasião, o candidato do PL afirmou que os dados eram oficiais e chegou a dizer que renunciaria à candidatura caso os números apresentados não fossem verdadeiros.
Levantamento publicado pelo Deixa Que Eu Te Conto, feito a partir de dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), identificou 29 registros de benefícios fiscais relacionados à Natural Pork, entre incentivos do Prodeic e reduções da base de cálculo do ICMS.
Somados, os registros chegam a R$ 491,9 milhões. Somente em 2025, sete lançamentos totalizam R$ 94,2 milhões.
A ligação empresarial de Pivetta com a Natural Pork também está documentada. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2022, quando já era vice-governador, ele informou possuir R$ 1 mil em ações da companhia.
Os documentos disponíveis não permitem afirmar que Pivetta continue acionista da Natural Pork em 2026.
A relação com o empreendimento é anterior. Em 2013, Pivetta presidia a Intercoop, cooperativa que deliberou sobre a venda de ativos produtivos para a Natural Pork, em operação que também envolvia a transferência de passivos, dívidas e obrigações.
Wellington foi além dos números e afirmou que o caso configuraria “tráfico de influência”. Essa acusação não está comprovada. Pivetta negou expressamente qualquer irregularidade.
Na entrevista desta quarta-feira, porém, diante da pergunta sobre os quase R$ 492 milhões em renúncias fiscais registrados em favor da empresa na qual declarou ações em 2022, Pivetta limitou-se a defender a legalidade dos incentivos e sua trajetória empresarial, sem detalhar a composição do volume de benefícios fiscais relacionado especificamente à Natural Pork.
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