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Diferentemente do que mostram os 337 votos favoráveis à medida provisória (MP) dos ministérios, a votação não representou uma vitória do governo do presidente Lula. A aprovação se deu em relação ao texto-base, que foi relatado pelo deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) — alvo de fúria de alguns ministros.
O motivo é simples, no documento, Bulhões desconfigurou alguns pontos importantes para o governo. Ele transferiu a gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que estava no Ministério do Meio Ambiente, para a pasta da Gestão e Inovação.
O CAR é usado para manter uma base de cadastro de propriedades rurais e fazer o controle do desmatamento. A pasta comandada por Marina Silva também perdeu o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico e o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos.
Ambos passam a ficar sob o guarda-chuva do Ministério das Cidades, o que incomodou Marina. A ministra chegou a afirmar que o relatório estaria “bolsonarizando” o governo Lula.
Em outra parte do texto, Bulhões transferiu a demarcação das terras indígenas do Ministério dos Povos Indígenas para a pasta da Justiça. De acordo com o relator, a medida se refere a algo judicial. Sonia Guajajara, que comanda a pasta, também não gostou da ação do deputado alagoano.
O relator mexeu também na pasta do Desenvolvimento Agrário, comandada por Paulo Teixeira, que perdeu a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para Carlos Fávaro, da Agricultura.
Além da derrota conformada em relação ao texto de Bulhões, o governo ainda sofre com a falta de uma base consolidada no Congresso — em especial, na Câmara.
Antes de entrar no plenário, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), disse que a gestão petista tinha apenas 130 votos para aprovar a MP dos ministérios. A base precisava de 257 votos. Lira ainda criticou veementemente o governo, afirmando que, caso a medida não passasse, a culpa seria da gestão petista.
Líderes do centrão afirmaram a Oeste que a sessão na Câmara foi postergada, pois o governo perderia nos votos caso ela começasse mais cedo. Os caciques políticos estavam decididos a reprovar a matéria. Mesmo despejando mais de R$ 10 bilhões no Congresso, Lula ainda precisou ligar para Lira. Mas, ainda assim, não conseguiu uma base consistente.
A “cartada” final governista pode ter acontecido quando o Supremo Tribunal Federal pautou um julgamento que, caso seja favorável, tornaria Lira réu por corrupção passiva. Isso poderia impedir uma eventual posse do deputado alagoano como presidente caso Lula e Geraldo Alckmin, vice-presidente, estivessem fora do Brasil.
Interlocutores disseram que, depois da decisão do STF, Lira orientou voto favorável à proposta. Depois da aprovação da MP, o presidente da Câmara, contudo, disse que essa seria a última vez que o Congresso se esforçaria para aprovar matérias de interesse do governo.
“Não haverá mais nenhum tipo de sacrifício”, declarou. Entre os deputados, é comum ouvir críticas em relação a alguns ministros, como: Alexandre Padilha (Relações Institucionais e Rui Costa (Casa Civil). Neste momento, o texto passa pelo plenário do Senado, onde deve ser aprovado.
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