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TRE mantém bloqueio na contas de prefeito acusado por caixa 2 em MT

Por Folhamax

A quantia de R$ 22,4 mil bloqueada das contas do prefeito de Sorriso, Alei Fernandes (União), vai continuar indisponível. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) negou o recurso apresentado pelo gestor e manteve a retenção do dinheiro enquanto seguem as investigações que apuram um suposto esquema de caixa 2 de R$ 1,2 milhão e falsidade ideológica eleitoral nas eleições de 2024.

A decisão foi unânime. Os desembargadores entenderam que não havia ilegalidade na ordem que determinou o bloqueio e mantiveram a medida para garantir recursos caso, ao fim do processo, haja condenação e necessidade de ressarcimento aos cofres públicos.

A defesa de Alei tentou reverter a decisão alegando que R$ 17,3 mil do valor bloqueado correspondem ao salário recebido por ele como prefeito e, por isso, não poderiam ser atingidos pela medida judicial.


O argumento não convenceu. Em parecer acolhido pelo TRE, o Ministério Público Eleitoral destacou que Alei recebe subsídio bruto de R$ 39,8 mil e também exerce atividades empresariais, o que demonstra possuir outras fontes de renda. Para o órgão, a retenção de parte dos valores não compromete a manutenção do prefeito nem de sua família.

Os TRE também destacou que a defesa apenas repetiu argumentos já apresentados anteriormente, sem demonstrar qualquer ilegalidade capaz de justificar a suspensão do bloqueio.

O bloqueio ocorre em meio às investigações sobre um suposto esquema de caixa 2 de R$ 1,2 milhão que teria beneficiado a campanha de Alei Fernandes nas eleições municipais de 2024.

Em junho de 2025, a juíza da 43ª Zona Eleitoral de Sorriso, Emanuelle Chiaradia Navarro Mano, rejeitou um recurso apresentado por Alei e pelo vice-prefeito Acácio Ambrosini (Republicanos). Eles tentavam derrubar uma decisão que reconheceu indícios de abuso de poder econômico e da utilização de recursos não declarados durante a campanha.

Na ocasião, a magistrada afirmou que as provas reunidas no inquérito policial reforçaram os fatos já apontados na ação eleitoral.

“Os elementos posteriormente colacionados aos autos por meio do inquérito policial não inovam na estrutura fundamental da causa de pedir – que já se assentava nas alegações de abuso de poder econômico e utilização de recursos não contabilizados. Trata-se, portanto, de desdobramentos de fatos originalmente narrados, compatíveis com a linha de investigação proposta na exordial, conforme reconhecido na própria decisão de saneamento.”

As suspeitas são investigadas pela Operação Rustius, da Polícia Federal, que já teve duas fases, deflagradas em dezembro de 2024 e maio de 2025.

Segundo a investigação, o irmão do prefeito, Gilson Fernandes, teria mantido conversas com o produtor rural Nei Francio, suspeito de usar os próprios filhos como laranjas para fazer doações eleitorais não declaradas.

Durante a primeira fase da operação, realizada três dias antes da eleição, Nei Francio foi flagrado transportando R$ 300 mil em dinheiro. De acordo com a Polícia Federal, o empresário e piloto de rally Atílio Rovaris teria determinado que o valor fosse buscado em Várzea Grande.

Rovaris também é investigado por suposta participação no esquema. Ele ficou conhecido por doar R$ 500 mil para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e teve contas bancárias bloqueadas por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, em investigação sobre o financiamento de atos antidemocráticos.

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