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O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, 63 anos, morreu neste domingo (19.mai.2024) em uma queda de helicóptero. A aeronave passava pela província iraniana do Azerbaijão Oriental, perto da cidade de Jolfa, fronteira entre Irã e Azerbaijão.
Na hora do acidente, o local tinha condições climáticas severas, como chuva e ventos fortes. Com a morte de Raisi, o vice-presidente Mohammad Mokhber, 69 anos, deve assumir o cargo.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tentou estabelecer um canal de diálogo com o ex-presidente do Irã, Ebrahim Raisi, morto neste fim de semana e considerado como linha dura. Ele ainda enfrentou um dos maiores protestos contra o regime, liderado por mulheres.
Os atos foram respondidos com repressão.A postura brasileira levou o Itamaraty a mudar seu voto em resoluções internacionais, com a convicção de que o isolamento proposto pelas potências Ocidentais apenas ampliaria o radicalismo em Teerã e conduziria o país a acelerar seu processo para o desenvolvimento de uma arma nuclear.
No início de abril, por exemplo, o Brasil se absteve na votação de uma resolução na ONU que estendia o mandato da entidade para investigar violações de direitos humanos no Irã — em especial durante os protestos das mulheres a partir de 2022.
A iniciativa, porém, foi aprovada por no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Foram 24 votos de apoio, 15 abstenções e oito contra.
Raisi era visto como o instrumento da cúpula religiosa iraniana para colocar como prioridade uma aproximação às potências emergentes, incluindo China, Rússia e Brasil. O ex-presidente também costurou uma normalização com os sauditas.
Ele também foi central no fortalecimento do que é chamado de “Eixo de Resistência”, o apoio de Teerã a grupos como Hamas, Hezbollah, um segmento dentro do Iraque e o governo de Bachar Al Assad na Síria.
Raisi era considerado como um dos homens mais leais ao Líder Supremo iraniano e maior autoridade no país, Ali Khamenei, e seu possível sucessor por sua postura ultraconservadora.
Nas áreas rurais, sua popularidade era sólida, principalmente depois que ele dobrou os subsídios às camadas mais pobres. Mas a notícia de sua morte também gerou comemorações nas redes sociais por parte de uma sociedade profundamente dividida.
Segundo uma investigação conduzida pela Anistia Internacional, Ebrahim Raisi, que foi procurador-geral adjunto de Teerã em 1988, teria feito parte da “comissão da morte”, uma espécie de grupo encarregado de executar milhares de prisioneiros políticos naquele ano. A entidade qualificou a repressão como crimes contra a humanidade.
Em seu ultimo informe, a presidente da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, Sara Hossain, concluiu que a “violenta repressão do Irã aos protestos pacíficos” do movimento Mulher-Vida-Liberdade desde setembro de 2022 levou a “graves violações dos direitos humanos […] muitas delas equivalentes a crimes contra a humanidade”.
O mandato da equipe de três mulheres, estabelecido pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em novembro de 2022, expirava e as peritas consideravam que precisam continuar a apurar a situação iraniana.
Ao explicar sua posição, o governo brasileiro afirmou que estava preocupado com a situação de direitos humanos no Irã, mas apostava na cooperação de Teerã.
De acordo com o embaixador do Brasil na ONU, Tovar Nunes da Silva, o governo “reconhece o engajamento” do Irã com os organismos internacionais e “incentiva” Teerã a cooperar.
Apesar de citar “progressos” em algumas áreas, o Itamaraty afirmou que continuava “profundamente preocupado” com a aplicação da pena de morte, inclusive contra crianças. O Brasil também pedia mais medidas para garantir a liberdade de expressão e pede fim de algumas das leis que discriminam mulheres.
O governo deixou claro que era “perturbador” os atos contra mulheres e minorias. Mas explicou que iria se abster na resolução “por entender que o Irã vai colaborar”.
Na América Latina, os governos da Costa Rica, Argentina e outros apoiaram a resolução. O governo do Chile, liderado pelo progressista Gabriel Boric, saiu em apoio da resolução e denunciou as violações de direitos humanos no Irã.
No ano passado, o convite do Brics para a adesão do Irã gerou críticas por parte de entidades de direitos humanos.
O presidente Lula, porém, defendeu a entrada do governo de Teerã no bloco. “O Irã é extremamente importante. Eu fico muito feliz quando vejo que o Irã está conversando com o mundo árabe, se colocando de acordo com a Arábia Saudita. Isso é uma mudança de comportamento”, disse.
Para ele, além de Rússia e China, o Irã “não pode estar fora de qualquer grupamento político que se queira fazer”.
Ainda em meados de 2023, Lula se reuniu com Raisi. Oficialmente, a agenda foi dominada pela aproximação comercial entre os dois países.
Em março, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a ativista iraniana Shirin Ebadi — primeira mulher a se tornar juíza em Teerã —, considerou Lula como desinformado sobre a situação em seu país. “Se ele é de esquerda e defensor da classe operária, deveria saber que o regime iraniano é inimigo da classe operária”, disse
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