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“Neste caso, na verdade, [o IDP] estava organizando e cedendo seu bom prestígio à CBF, e não o contrário”, disse o decano do ST
Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (foto) negou que haja conflito de interesses em sua atuação em processos que envolvam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por causa do contrato da entidade com o (Instituto Brasileiro de Ensino Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual o ministro é fundador e sócio, e que é dirigido por seu filho.
Gilmar, que despachou uma série de decisões nos últimos meses para manter Ednaldo Rodrigues à frente da CBF, disse o seguinte em entrevista a um programa do portal Uol, em resposta a pergunta que mencionava críticas do senador Eduardo Girão (Novo-CE) a sua participação nesses processos:
“Não vou responder a crítica nenhuma do [Eduardo] Girão, todos o conhecem, inclusive no Ceará. Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os custos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP. Não há nenhum conflito de interesse meu em relação a esta questão. O IDP, como sabem, é uma instituição extremamente conceituada no Brasil e no exterior. E neste caso, na verdade, [o IDP] estava organizando e cedendo seu bom prestígio à CBF, e não o contrário.”
Gilmar deve deliberar mais uma vez sobre o caso de Ednaldo nas próximas horas, já que o cartola foi destituído do comando da CBF por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), e os advogados da entidade já recorreram de novo ao STF.
Essa disputa pelo comando da CBF ocorre desde que Ednaldo assumiu a entidade de forma interina, em 2021, após a queda de Rogério Caboclo, alvo de denúncias de assédio sexual.
Ednaldo conseguiu se manter no poder na confederação a duras penas, e, segundo detalhou reportagem minuciosa da revista piauí, de uma forma não muito republicana.
Com adversários poderosos na Justiça do Rio de Janeiro, o presidente afastado da CBF encontrou no decano do STF um anteparo para as decisões da Justiça fluminense, e isso lhe permitiu seguir no poder até este mês.
O questionamento sobre o processo que levou Ednaldo ao comando da CBF cabia ao ministro André Mendonça no STF, mas foi parar nas mãos de Gilmar, que decidiu diversas vezes a favor do dirigente.
Segundo a revista piauí, contudo, a última decisão de Gilmar sobre o caso de Ednaldo, que permitiu ao TJ-RJ tirá-lo do cargo, é um indicativo de que o ministro do STF não estaria mais disposto a servir de anteparo para o cartola.
Reportagem publicada nesta semana diz o seguinte, ao mencionar a última decisão do decano do STF, que respondia a pedido da defesa de Ednaldo para que ele seguisse no comando da CBF:
“Gilmar Mendes agiu rápido: no mesmo dia 7 [de maio], negou o pedido para remover Ednaldo Rodrigues do cargo, mas ordenou a ‘apuração imediata e urgente’ do caso pelo Tribunal de Justiça do Rio. Chamou atenção a agilidade do ministro, mas também o teor da decisão. Segundo um especialista em direito penal ouvido pela piauí, o usual em uma situação como essa seria que Gilmar pedisse ao Ministério Público para investigar as alegações. Em vez disso, o ministro reabriu o mesmo processo que, três meses antes, ele mandara extinguir no tribunal do Rio. O desembargador Gabriel Zefiro, ao receber a papelada, também foi veloz. Expediu a liminar em sete dias, enquanto a média do Tribunal de Justiça do Rio tem sido de 121 dias, segundo os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).”
Em fevereiro deste ano, Gilmar homologou um acordo assinado entre a CBF, cinco dirigentes da confederação e a Federação Mineira de Futebol (FMF) para reconhecer a validade da eleição de Ednaldo, no que aparentemente dava fim às disputas judiciais sobre o assunto.
Mas Fernando Sarney, um dos vice-presidentes da CBF, questionou, na Justiça do Rio, a validade da assinatura do Coronel Nunes, e o TJ-RJ declarou nulo o acordo, “em razão da incapacidade mental e de possível falsificação da assinatura de um dos signatários”, em referência a Nunes, que está com 86 anos.
Sarney, que é filho do ex-presidente da República de mesmo sobrenome, foi então declarado interventor na CBF. Ele prometeu manter no comando da seleção brasileira o italiano Carlo Ancelotti, anunciado às pressas por Ednaldo em meio à disputa eleitoral, e tem a incumbência de organizar eleições para escolher um novo presidente para a confederação.
Pelo menos até uma nova decisão judicial.
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